22 de fev de 2013

Opinião na televisão

Bom, primeiro quero me desculpar por não postar no dia habitual, domigo quase segunda. Foram "forças estranhas" que me impediram, mas taí na sexta!

Começo com um vídeo:




É bom que exista opinião nos telejornais (apesar do que se fala), o que anda cada vez mais raro, dado a evolução da competição por audiência na televisão. Mas sabe o que falta, para mim, na TV? Programa de debates.
Como a própria opinião já está escassa neste meio, os debates simplesmente sumiram ou estão ‘escondidos’ em horários impraticáveis (o Canal Livre é um exemplo). Ele contribui para a profusão de ideias, além de informar (do seu jeito). Mas, como já disse, a TV comercial foge disso, já que para eles (e também uma verdade para nós) o telespectador não quer saber disso.
 
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Um outro formato televisivo que me chamou muito a atenção foi do programa Servizio  Pubblico, da emissora italiana La 7. Em formato de arena num palco remetente a algo mais pesado, o programa discute política e atualidades de uma forma bastante peculiar. Cada semana, um tema abordado com algumas reportagens feitas por jornalistas colaboradores do programa e uma charge ao fim (ao estilo Roda Viva).
Seu apresentador, Michele Santoro, jornalista que já trabalha com esse tipo de programas há alguns anos na RAI, a emissora pública do país, resolveu criar o projeto, tamanha falta de pluralidade de programas, além da grande concentração de mídia (RAI e Mediaset, esta controlada por Silvio Berlusconi, mantém cerca de 80% da fatia televisiva). Já tinha sofrido censura, em 2002, quando o ex-primeiro ministro Berlusconi reclamou do "mau uso do serviço público de TV", sendo que foi retirado da emissora logo após estas declarações.
O projeto Servizio Pubblico vai além de um programa de televisão. O telespectador pode financiar o programa por 10 euros. Já são 100 mil pessoas a fazerem parte desta associação. No ar desde 2011, por meio de redes regionais, somente em 2012 foi para uma grande emissora, mas mediante um contrato especial: o canal não interfere no conteúdo.
O programa de maior audiência e repercussão foi com a participação de Berlusconi. Nove milhões de pessoas assistiram. Aqui o está na íntegra:





Este formato, para meu ver, seria difícil, ou quase impossível ser visto na televisão brasileira. Apesar de que todos (eu disse todos) estes programas tenham uma aura incomodante, nenhum é santo, principalmente aqueles que tem como assunto política. Como já disse no escrito mais acima, o debate não é prezado aqui, principalmente o político. O programa é bem construído, traz muitos elementos instigantes, que faz de qualquer jeito o telespectador ter um posicionamento sobre o assunto.
Cabe a nós pensar e escolher bem as opções do se ver, porque, para os berrões de plantão, existe um ou outro canal em meio à "telebasura" te esperando com algo inteligente a mostrar.

+ La7 é um canal generalista italiano controlado pela Telecom Italia, dona da TIM.
+ A censura que Michele Santoro (e outras duas pessoas, o jornalista Enzo Biaggi e o comediante Daniele Lutazzi) sofreram por Berlusconi é conhecida por "Editto Bulgaro", já que a declaração do primeiro-ministro sobre a televisão pública foi feita em visita à Sofia, capital da Bulgária.
+ Telebasura é um termo espanhol que junta 'televisão' com 'lixo' (basura). Foi cunhado entre os anos 2000 para designar programas de futilidades nas emissoras de TV, mais precisamente Telecinco, expoente deste ramo até hoje. Telecinco é uma emissora pertencente a Mediaset de Berlusconi.

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