10 de mar de 2013

Observações sobre a bebida





Ê pinga brava!


Não bebo. É difícil achar alguém que não bebe, e que não o faz por ser religioso ou por outros fatos. A bebida alcoólica não me desperta interesse em consumi-la. Até porque creio que se beber, isto será meu fim. Mas gosto de saber sobre elas.
Ser um abstêmio numa cidade universitária é algo inimaginável. Afinal, não existe motivo pra beber, e em todo lugar se bebe. É o meio mais usado para fuga da realidade, não que isso seja ruim; se não sairmos da realidade, enlouquecemos sobre ela. E dependendo do curso que se faz, é melhor esquecer mesmo.
Sempre foi dito que a bebida é um meio eficaz para socialização. E nestes rocks da vida eu percebi isto mesmo. Toda pessoa tem uma resistência moral, um resguardo de si no ambiente novo, que é simplesmente o senso para todas as ações somado ao recato. A bebida, ao longo do tempo vai fazendo este senso diminuir até acabar. Por isso o início da festa é algo morno, sem sal, e depois a coisa vai ficando boa. As pessoas se liberam, conversam, fazem coisas mais ousadas, se divertem.
Uma menina, que é conhecida por ser bem tímida e meiga, porque seu corpo frágil e seu rosto extremamente jovial o aparenta ser assim, com três copos de cerveja já demostra mudanças de personalidade:
  • Sem beber, estava quieta, com um olhar vagante, mãos e pernas paradas, escorada numa pilastra. Calada.
  • No primeiro copo, começou a falar um pouco. Sorria. Já estava de pé.
  • No segundo copo, falava um pouco mais espontaneamente. Mexia os braços com um ritmo. Ria, sem ser este riso um "mecanismo para a manutenção do convívio social", ou seja, era natural.
  • No terceiro, estava animada, falava abertamente, ria, se mexia, começava a brincar. Estava liberta da vergonha.
É claro que isto foi apenas uma observação sem nenhum método. Mas eu vi o potencial que a bebida faz. Essa mesma menina uma hora fala assim comigo:
- Porque você não bebe?
- Ah, porque eu não quero isso pra mim. Você bebia antes de vir para cá?
- Um pouco, mas depois que vim, uh, agora bebo mais - rindo alegremente. - A bebida é fácil de socializar, olha que legal as pessoas conversando...
Mas talvez o mais divertido (ou não) são as histórias de bêbado. Todo mundo uma hora passa da conta (universitários sempre). E no dia seguinte, aquela turma ouve os depoimentos para reconstituição dos fatos ocorridos na noite anterior.

Primeiro depoimento
- Nuh Filipe, ficou sabendo do que aconteceu?
- Não.
- Teve briga na casa do Diego, três caras queriam brigar e tal, e a namorada dele expulsou eles aos berros, gritando. Até garrafa quebraram lá.

Segundo depoimento:
- Puta merda, cê ficou ruim demais! Hahahahaha.
- Nem tô lembrando de nada, aquela maracupinga foi foda.
- Você virou três copos de cachaça com a Carol.
- E você tomou o copo da minha mão e virou ele.

Terceiro depoimento
- E aí, viu a treta?
- Vi. Eu tava na sala quando a namorada do Diego começou a gritar com os caras lá. 
- E aí?
- Eu acabei indo embora pra casa. Isso é foda, né?
- É... 
- Só sei que ontem o povo tava doido...

Quarto depoimento
- Aquela desgraça de pinga doce que aquele pessoal trouxe lá, nú, ela é foda. Não lembro de nada.
- Você vomitou no banheiro tomando banho, eu tive que tirar você de lá pelado!
- Ha ha ha ha ha ha ha! Não lembro disso não!
- Era umas 5 horas da manhã.
- Aquela pinga é fogo mesmo, acordei 8h. Tô com a cabeça doendo...
- Eu comi agora na universidade, passei o dia todo sem comer nada.

Numa noite várias coisas acontecem, quase tudo envolvendo a bebida. E você, tem alguma história interessante para contar? Como diria Roberta Zampetti, "compartilhe com a gente!"

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Pra quem não percebeu, o blog mudou de layout, agora aumentou e trocou o tamanho da logo, além da carinha ganhar uma boca, algo que tinha notado há muito tempo. Agora, por cargas d'água: porque o Matheus tinha criado um desenho de um menino sem boca?

Ah, e ainda tá rolando o Concuso SeuBlog.com. Estou com bastante preguiça de colocar o link, então, vai procurar!

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